Vitiligo: enigma e estigma social

Vitiligo
O vitiligo é uma doença adquirida, de causa obscura e sem risco de contágio, sendo característico o surgimento de manchas de pele com ausência de pigmentação devido a um prejuízo na síntese de melanina. Atualmente acomete cerca de 140 milhões de pessoas no mundo inteiro, e aproximadamente 3 milhões de brasileiros, segundo dados da OMS, e ainda não possui uma cura definitiva, mas os novos tratamentos para a eliminação e atenuação das manchas são bastante animadores.

As lesões de pele podem ser localizadas, com manchas isoladas, ou ter um acometimento difuso, espalhando-se por grandes áreas da superfície corporal e até os pêlos que a recobrem, tendo como áreas de preferência as extremidades dos membros (mãos e pés), a face, os genitais, cotovelos e joelhos.
Apesar da não descoberta de um mecanismo definitivo para explicar o surgimento das primeiras manchas, há uma série de teorias que tentam exemplificar a real causa do problema, dentre elas podemos mencionar:
1)Teoria neural: afirma que geralmente as primeiras lesões surgem em áreas próximas a um sinal ou pinta, onde neurônios liberariam mediadores químicos com efeito tóxico às células produtoras de melanina (melanócitos).
2)Teoria genética: leva em consideração o fato de que 25% dos pacientes que desenvolvem a doença, apresentam outros casos na família.
3)Teoria citotóxica: os adeptos desta corrente acreditam que esta despigmentação é provocada por substâncias químicas (como a hidroquinona) presentes em materiais como tecidos e borrachas, levando a degradação da melanina.
4)Teoria auto-imune: baseia-se na afirmação de que é o próprio organismo quem produz auto-anticorpos, devido a um desequilíbrio no sistema imunológico, promovendo assim a destruição dos melanócitos.
Os primeiros sintomas, geralmente surgem com o aspecto de uma mancha bem delimitada, que apesar dos danos estéticos não acarreta maiores problemas. Deve-se ressaltar também que a evolução do processo parece estar diretamente relacionada ao estado emocional e a auto-estima do paciente, daí o emprego atual de técnicas de relaxamento associada a psicoterapia para controle de ansiedade.
Quanto mais precoce é iniciado o tratamento, melhores serão os resultados e a evolução do quadro inicial. No vitiligo focal, tem-se como solução paliativa e amenização do dano estético a utilização de bases e maquiagem, bem como o uso de protetor solar para impedir o bonzeamento de áreas sadias.
Deve-se salientar neste caso que quando a área acometida é menor que 10% da superfície corporal a primeira opção é a corticoterapia tópica com resultados visíveis geralmente após 3 meses de acompanhamento dermatológico com o uso desta medicação. O uso de imunossupressores de uso tópico, como o tacrolimus e o pimecrolimus, tem figurado como uma excelente alternativa ao emprego de corticóides de ação local, no entanto é prudente que se as utilize com cautela devido ao provável aumento da incidência de linfomas em seus usuários.
A PUVAterapia (Psoraleno + Ultravioleta A), pode utilizar-se de um fotossensibilizante oral ou tópico combinada à exposição das lesões à radiação solar ou artificial, em painéis ou câmaras com lâmpadas UVA, sendo contraindicado em menores de 13 anos.
A terapia cubana, com melagenina, não demonstrou eficácia superior quando comparada às técnicas convencionalmente utilizadas.
A Laserterapia ainda é um tratamento muito caro, no entanto tem trazido bons resultados.
Estudos mais recentes, de pesquisadores indianos, introduzem uma substância utilizada para tratamento do glaucoma (Bimatoprost), havendo obtido resultados satisfatórios em 70 % dos pacientes voluntários envolvidos. Há também uma técnica brasileira de raspagem superficial da pele, a qual promove uma mobilização nas células da epiderme, tendo como resultado a repigmentação gradual das lesões com menos de 1 ano de história evolutiva.
Muito já se progrediu em relação ao vitiligo e a melhoria da qualidade de vida dos seus portadores, mas ainda há muito a se fazer a fim de alcançar uma cura definitiva.