Depressão: Saiba como reconhecê-la e como agir

Depressão tem tratamento e cura.
O Transtorno depressivo atinge, ou já atingiu em algum momento da vida, cerca de 18 % da população mundial,  sendo mais comumente encontrada nos indivíduos de 20 a 45 anos, afetando cerca de 2 (duas) mulheres para cada homem.
Este distúrbio é caracterizado clinicamente pela apatia acompanhada de perda do interesse em realizar as atividades que outrora eram tidas como prazerosas, alterações do sono, alterações do apetite, diminuição da libido, alterações psicomotoras (fraqueza, cansaço, lentidão), alterações do intelecto, ideação suicida, retraimento social, dentre outros. Esta condição possui um quadro duradouro, manifestando-se a maior parte do dia, quase todos os dias durante 2 semanas ou mais, sendo intenso e acarretando prejuízos ao cotidiano, bem como no cumprimento de compromissos diários.
Ainda hoje há muitas controvérsias acerca das causas de depressão, sendo mais aceitos, o fator genético, o estilo de vida, a rejeição, o estresse, a alimentação, problemas escolares e separações de entes queridos. Atualmente, sabe-se que o quadro depressivo está associado a uma certa desordem de alguns neurotransmissores, sendo a serotonina o principal envolvido, daí porque os principais antidepressivos agem com a finalidade de reequilibrar os níveis dessa substância. O uso de drogas como a benzoilmetilecgonina (Cocaína) e o Erythroxylon Coca (Extrato de Coca ou Pasta Base de Coca) podem levar ao desenvolvimento de um quadro crônico, enquanto que a Cannabis sativa (Maconha) leva aos não crônicos. Acredita- se também que medicamentos como benzodiazepínicos, analgésicos, corticóides, betabloqueadores, antiparkinsonianos e anti-histamínicos podem ocasionar a depressão, assim como a suspensão de qualquer medicação utilizada por um longo prazo.

A depressão, de maneira didática, pode ser subdividida de 7 (sete) tipos principais:

1)    Depressão maior: para se enquadrar neste subtipo, deve-se apresentar pelo menos 5 dos fatores listados a seguir:
•    Desânimo na maioria dos dias e na maior parte do dia (em adolescentes e crianças há um predomínio da irritabilidade)
•    Falta de prazer nas atividades diárias
•    Perda do apetite e/ou diminuição do peso
•    Distúrbios do sono — desde insônia até sono excessivo — durante quase todo o dia
•    Sensação de agitação ou languidez intensa
•    Fadiga constante
•    Sentimento de culpa constante
•    Dificuldade de concentração
•    Idéias recorrentes de suicídio ou morte
•    Começa a se preocupar com os pequenos problemas da vida
•    Tem dificuldade para tomar banho, ler um livro e até coisas simples como assistir televisão

2)    Depressão atípica: nesta modalidade geralmente os pacientes apresentam apetite exagerado, sonolência, irritabilidade e um forte sentimento forte de rejeição.

3)    Depressão pós-parto: nada mais é do que a persistência do quadro depressivo conhecido como “Baby blues”, o qual é geralmente desencadeado pelo rápido declínio dos hormônios da gravidez, ocorrendo em aproximadamente 12,5% dos casos. O mecanismo ainda não foi bem esclarecido, mas é fato que o “baby blues” não afeta somente as mães, uma vez que cerca de 25% dos pais também o desenvolvem.

4)    Distimia: também conhecida como depressão crônica leve, difere-se da depressão maior apenas pelo fato de que os sintomas duram muito mais tempo, no entanto são bem mais brandos em relação aos sintomas deste.

5)    Distúrbio Afetivo Sazonal (DAS): é mais comum nos países onde a incidência da radiação solar dura poucas, sendo a falta de sol o principal fator, daí porque geralmente se manifesta durante o outono ou o inverno e desaparece quando chega a primavera ou o verão.

6)    Luto (Pesar): é considerado uma reação emocional natural, saudável e importante, que pode se estender por 3 a 6 meses, período após o qual pode converter-se em um quadro depressivo mais importante.

7)    Tensão Pré-menstrual: acomete cerca de 80% das mulheres em idade reprodutiva, durante a etapa que antecede a menstruação, melhorando logo após o fluxo menstrual.

O tratamento da depressão é multidisciplinar, devendo ser conduzido por profissionais qualificados, constituindo uma equipe formada por: psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e sem dispensar o apoio de uma estrutura familiar adequada nem o desenvolvimento e a prática de atividades físicas regulares, além da possibilidade de utilização de medicamentos antidepressivos, da eletroconvulsoterapia ou até da estimulação magnética transcraniana repetitiva.