O Suco de Noni e o Diabetes


O nome científico do Noni é Morinda citrifoli. Originário do Sudoeste da Ásia, ele foi extremamente difundido na Índia e foi trazido pelo Oceano Pacífico até as ilhas da Polinésia Francesa. No Japão, a árvore é conhecida como “Yaeyama-aoki”, sendo inclusive encontrada na Prefeitura de Okinawa.  A árvore da onde o fruto é colhido pode atingir até 9 metros de altura e tem folhas largas, de cor verde escuro. O fruto é oval e atinge 4 a 7 cm de tamanho. Ele tem uma cor branca quando colhido e um odor muito forte e característico. Embora o odor não seja muito agradável, o fruto pode ser comido cru ou cozido, assim como as sementes do fruto, que normalmente são ingeridas após assadas.



É impressionante a quantidade de propriedades medicinais atribuídas ao Suco de Noni. Além de suas propriedades contra o DM, são relatados também efeitos antiinflamatórios, analgésicos, anti-sépticos e até mesmo anti-cancerígenos. Não temos como discutir todos estes efeitos milagrosos, então será descrito principalmente o que existe de evidência científica para o tratamento do Diabetes.

Existem alguns artigos investigando os efeitos do suco de Noni sobre a glicose plasmática. É importante observar que estes estudos foram realizados principalmente em ratos, e não em humanos. Os estudos comprovam que parecem existir algumas substâncias presentes no Suco de Noni (entre elas, alguns potentes anti-oxidantes e substâncias chamadas antroquinonas) que realmente exercem efeitos na redução dos níveis de glicose plasmáticos. Os possíveis efeitos benéficos incluem uma melhora da secreção de insulina pelo pâncreas assim como uma redução na velocidade da absorção da glicose no intestino.  Além disso, a presença de potentes anti-oxidantes pode explicar parcialmente alguns dos outros possíveis efeitos benéficos do produto. Embora estes benefícios tenham sido demonstrados (novamente, principalmente em ratos e outros modelos animais), os possíveis efeitos colaterais não foram avaliados nestes estudos.

É extremamente importante lembrar que se faz necessário o desenvolvimento de estudos em humanos para afirmar que um produto é eficaz no tratamento de uma doença. No caso do Suco de Noni, não foram encontrados estudos clínicos em humanos que demonstrassem não só os benefícios, mas também os possíveis efeitos colaterais deste produto. Além disso, como em outros “produtos naturais”, há relatos de pacientes que apresentaram graves efeitos colaterais, incluindo lesão no fígado e nos rins com o suco de Noni. Mais ainda. Um estudo realizado no Brasil, utilizando modelos animais, demonstrou que o Suco de Noni também pode ter feitos adversos graves sobre a gestação.

Com base na ausência de estudos em humanos, e na existência de possíveis efeitos deletérios, a ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária), em 2004, verificou que o Suco de Noni vinha sendo comercializado no Brasil e que diversas propriedades medicinais (descritas acima) vinham sendo atribuídas a ele em peças promocionais. Devido a esta promoção indevida, mais de 15 peças publicitárias foram suspensas nesta época.  Da mesma forma, o FDA (Federal Drug Administration), o órgão americano responsável pela aprovação de alimentos e medicamentos nos EUA, também não aprovou o Suco de Noni. Portanto a melhor maneira de terminar esta coluna é com um parágrafo retirado, na integra, diretamente do Site da ANVISA:

“As publicações científicas sobre o Suco de Noni têm trazido muita controvérsia sobre sua segurança como alimento. Considerando tratar-se de uma solicitação de registro de um novo alimento sem histórico de consumo no país e que teria consumo livre sem supervisão profissional, a avaliação de sua segurança deve ser baseada em critérios rígidos. É notória, ainda, a falta de estudos sistemáticos avaliando o Suco de Noni em humanos nos países onde o produto é comercializado. Assim, as evidências científicas avaliadas até o momento não comprovam a segurança dos produtos contendo Morinda citrifolia para uso como alimento.
Portanto, com o intuito de proteger e promover a saúde da população, os produtos contendo Noni não devem ser comercializados no Brasil como alimento até que os requisitos legais que exigem a comprovação de sua segurança de uso sejam atendidos.”

Dr. Rodrigo O. Moreira 
Médico Endocrinologista do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro (IEDE)

FONTE: SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes

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